08 de Outubro de 2010

Jamais a música havia despertado em mim qualquer interesse…Recordo com alguma nostalgia os tempos de infância, nos quais passava grande parte do tempo em reclusão num mundo criado por mim, qual fortaleza no deserto; o meu escape da realidade, repleto de sonhos e expectativas nos quais não era reservado espaço a palavras como “desilusão”, “fracasso” ou mesmo “injustiça”. Nesse mundo por mim idealizado, não existia qualquer lugar para a música. Nesses tempos idos olhava, descomprometidamente à minha volta e, de modo frio e analítico conforme a minha natureza, questionava o porquê de tanta devoção à música e aos seus intervenientes. Nomes relativos ao universo musical, tais como “U2”, “Rolling Stones”, “Michael Jackson” e mesmo “Madonna” soavam distantes e desprovidos de qualquer interesse, incapazes de me captar a atenção por mais de uns efémeros 15 minutos (“quinze minutos de fama”). Os anos passaram e, ao dar por mim, estava já na Universidade, inserida num mundo no qual a música é o expoente máximo no dia-a-dia, qual hino à juventude e aos melhores anos de toda uma existência…

…“Poker Face”: o nome soou estranho aos meus ouvidos e, onde quer que me encontrasse, desde a Universidade ao café lá estava, como que passado em simultâneo por todas as rádios. A cantora? – Uma certa “Lady Gaga”, nome que me pareceu impronunciável e que, de qualquer modo, não teria qualquer interesse em pronunciar pois, afinal de contas, era apenas mais uma numa indústria musical em franco declínio, ensombrado pelo terror dos “downloads” ilegais e de um “show business” há muito caducado, estereotipado, enfim, morto. Estaria de facto? Para espanto meu e de qualquer pessoa atenta, o nome Lady Gaga continuava bem vivo em todos os meios de comunicação; a sua imagem, bem como a sua voz pareciam ter hipnotizado (ou, paradoxalmente, acordado de um longo período de letargia) todo o mundo. A pessoa mais próxima de mim via os seus primeiros videoclips e, de modo acanhado, mudava de canal na minha presença pois eu não gostava de música e AQUELA cantora, em especial, era toda ela devoção à arte musical.

Com 23 anos apenas seria apenas mais uma, destinada a durar pouco mais de um ano (no máximo da sua sorte) na sua pele de super estrela. Mas o seu trabalho não era proveniente de mera sorte e sim de puro esforço, dedicação e de um inato talento, demasiado raro para os dias de hoje… Como dito pelos sábios gregos há milénios atrás, a música é de todas as artes a mais sublime, através da qual os deuses comunicavam com os simples mortais... Aos leitores peço desculpa pelo texto alongado e quiçá maçudo, mas, segundo creio, o elo entre leitor e escritor é demasiado precioso e esta introdução sobre a minha pessoa é por todos vós merecida e, a mim, devida. Passemos então à crónica propriamente dita…

Esta semana, fomos agraciados com a notícia de uma possível colaboração entre duas das maiores divas do mundo da música; dois ícones da cultura pop, através das quais gerações diversas espelharam ideais, esperando que as suas vozes, de outro modo demasiado débeis para serem ouvidas, tivessem uma oportunidade para mudar a sociedade graças à consciência destas duas versáteis cantoras. Ainda no rescaldo dos prémios VMA, Cher ter-se-á identificado com a mensagem de Lady Gaga, revelando-se mesmo como grande apreciadora do seu trabalho. Activista dos direitos dos homossexuais e do feminismo, com grande expressão durante os anos 70 e início da década de 80, Cher parece ter, por fim, transmitido o seu legado a alguém à altura do desafio: Lady Gaga! Após quase meio século de carreira a artista pode, pois, encontrar de novo o seu tão merecido lugar de destaque no panorama musical actual enquanto proporciona a todos nós o prazer de a ouvir e ver lado a lado com Gaga, na certeza que agirá como um excelente exemplo de vida e obra.
Ainda na senda de uma boa semana para todos os “Little Monsters”, Gaga agraciou-nos, uma vez mais, com um subtil regresso a uma antiga paixão: os “blues”! Na companhia de Yoko Ono e da sua banda,” We Are Plastic Ono Band”, Lady Gaga mostrou descontraidamente possuir uma voz verdadeiramente preciosa e poderosa, levando o Orpheum Theatre em Los Angeles ao rubro e calando progressivamente as (ainda dissonantes) vozes de quem a crê desprovida de talento. Sorrindo e cantando de modo improvisado em muitos momentos da sua actuação, Gaga revelou possuir inigualável presença de palco, cativando na totalidade da sua pessoa e sendo, ao fim e ao cabo, ela mesma: inigualável, versátil, genial! Mas muito mais que um génio criativo, Lady Gaga ou, atrevo-me a dizer, Stefani Germanotta tem o seu nome bem como toda a sua existência associados à palavra “mudança”; mudança essa a operar numa sociedade que, mesmo na alvorada do século XXI se mantém demasiado fechada sob antigos preconceitos, enraizados com tal profundidade que parecem jamais ter um fim. A um vasto leque de intervenções à escala política na defesa da igualdade, segue-se uma nova etapa humanitária iniciada há escassos dias: a organização “ONE”, destinada a travar o alastramento das calamidades sociais nos países pobres um pouco por todo o mundo.
Através da sua obra, bem como do seu incessante empenho na criação de uma amanhã melhor, Lady Gaga torna-se assim uma das mais influentes personalidades do mundo, ensinando a todos nós qual voz da sapiência a seguir os nossos sonhos e a acreditar num futuro melhor, indicando que não há limites para a nossa existência e que, afinal de contas, todos temos o poder de mudar o mundo: “I´m just trying to change the world, one sequin at a time!”

Poison TV

publicado por LadyGaga-Portugal às 20:00
Parabéns, Poison TV ;)

Já agora, quem estiver interessado em unir-se à campanha One eis o site:

http://www.one.org/international/
Luigi a 8 de Outubro de 2010 às 20:08
Posion TV parabéns tens uma excelente cronica...
esta bastante interesse mesmo parabéns continua o bom trabalho...
e melhoras para essa constipação bjs
ladydi a 8 de Outubro de 2010 às 20:45
*Poison TV
ladydi a 8 de Outubro de 2010 às 20:48
OMG, a crónica surpreendeu-me imenso! Super bem escrita, e interessante! parabéns Poison TV, e as melhoras (:
Migueel a 8 de Outubro de 2010 às 21:04
Bela crónica

Parabéns Poison TV!

DanielaB. a 8 de Outubro de 2010 às 22:38
Adorei esta crónica, e a anterior igualmente. Lady Gaga está para música (+Fashion+Fame Monster) assim como você está para a escrita. Continue assim

LilMonster
Lord Gaga a 9 de Outubro de 2010 às 12:06
Excelente escrita, excelentes argumentos, excelente crónica. Parabéns ao autor :)
FLÁVIOMATA a 9 de Outubro de 2010 às 17:18

Image and video hosting by TinyPic
pesquisar neste blog