05 de Novembro de 2010

“Halloween”, o nome que cruza as brumas dos séculos; a data na qual o véu entre o fantástico e o banal se mesclam, de modo poético…Metáfora para a simbiose entre os conceitos de “mortal” e “imortal”, representa um acanhado desvinculo com as fronteiras estipuladas nas nossas vivências do dia-a-dia. Lady Gaga, com toda a sua sensibilidade artística jamais poderia negligenciar tal data…

Festejando o acontecimento, acorreu a uma festa privada em Belfast, sob o disfarce de “Cruela De Vil”, uma das vilãs que marcaram a nossa infância. Apesar de, inicialmente, a escolha poder parecer estranha, a verdade é que Gaga não deixa margens ao acaso, tendo este traje um carácter profundamente simbólico, representando um ideal de mulher apaixonada por moda, bem-sucedida, independente e persistente. Parece, ainda assim, uma escolha sinistra? De modo algum! Não esqueçamos que Stefani Germanotta foi desde tenra idade apaixonada por música no geral e…”Black Sabbath” em particular. Puro “gothic metal”, esta banda de influência marcante na sua personalidade enquanto artista, apresenta elementos nas suas letras que remetem a temáticas relacionadas com o oculto e o tétrico, de modo desencantado e, por vezes, brutal (quem não se recorda da sua actuação nos MTV VMA 2009?!). É essa brutalidade que está patente em Lady Gaga, ainda que de um modo bem mais subliminar, sempre acompanhada por elementos de uma teatralidade pomposa, quase romantizada, que pretende atenuar (ou chocar ainda mais) com o seu desenvolvimento, qual terceiro acto numa tragédia grega É assim o carisma e a personalidade de Gaga, capaz de satirizar incansavelmente o mundo no qual vivemos, aliando o seu papel icónico capaz de mover toda uma geração, apontando o dedo às adversidades e aos podres da sociedade á sua capacidade de comunicar através das artes, não se cingindo apenas ao elemento musical, talvez demasiado pequeno para abarcar toda a sua mensagem e complexidade enquanto ser humano…

Foi neste seguimento que, tocadas pela sua mensagem, ideais ou, simplesmente, aparência, milhares (senão mesmo milhões) de pessoas por todo o mundo optaram por prestar um tributo à artista, ao irem mascarados de “Lady Gaga” às diversas festividades de halloween.

Estes mascarados não representaram (nem tampouco o pretenderam, na sua maioria) uma mera artista em ascensão, um ícone deste século; não, estas pessoas ao mascararem-se da diva mascararam-se de uma metáfora, símbolo da quebra de barreiras, da força de vontade, da possibilidade de mudarmos o mundo, quem sabe, um dia, tal como ela tão corajosamente o fez quando tudo na sua vida parecia dizer: “não conseguirás”!

Como escreveu certo dia um genial compatriota nosso:

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Poison TV

publicado por LadyGaga-Portugal às 20:00
Gorgeous! Adorei a crónica! Aprendo sempre algum vocabulário com as crónicas da Poison TV.
Migueel a 5 de Novembro de 2010 às 21:02
Esta crónica está brutal! Adorei <3
Continua Poison TV.
DanielaB. a 5 de Novembro de 2010 às 23:44

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